um olhar sobreposto a todos os outros

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A solidão, com ou sem companhia

Solidão, com ou sem companhia, companhia não de gente mas daquilo que nós próprios somos, a nossa própria companhia, o nós que algum dia fomos. Solidão essa de que ninguém tem menor ideia, por nós fingirmos sem intenção, ou na verdade com a intenção cheia de fingimento ou não.
Solidão, sem tentar ser quem não somos, sendo apenas o que procuramos, e tudo aquilo de que dispomos, seja para nós e por nós, bem como tudo o que edificamos. E não é tudo isso solidão? Caber a cada um, ser o que lhe apetece ou convém, partilhando (ou não) a vida consigo próprio, o único que com certeza se tem.
Solidão é algo mais, é uma liberdade individual criada, é afastar-se ou ser afastado de todos os outros seres mortais, fazer da vida um todo vazio, um verdadeiro nada. Não me venham então com histórias, de que a solidão é viver desta ou doutra forma. Mentem! Solidão não é viver, é morte interior, colocar o que é viver, de lado, como que uma reforma.
Odeio-te solidão, jamais te quero por perto. Só de me imaginar um dia, a escutar o teu silêncio, o meu espírito se enche de agonia, não te quero eu como companhia! Saber que me retiras toda a minha alegria, que por ti me arrisco a perder o que em vida tenho, nem pensar, eu repito: não quero a tua companhia.
Solidão, não ouses aproximar-te da minha pessoa, tentar quitar-me desta minha vida boa, a única que me fora concebida, que devo aproveitar com uma felicidade desmedida.
Por não me contentar apenas comigo, disponho de infindáveis lugares no meu coração; uns ocupados, outros livres, nenhum para ti, falsa, solidão!

a Bel escreveu.

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